Quanto custa implementar a tarifa zero no transporte público? Onde já tem?

Quanto custa implementar a tarifa zero no transporte público? Onde já tem?

Dificuldade é encontrar receita

O professor afirma que o grande desafio para a tarifa zero é encontrar fontes extras de receitas. Ele cita como exemplo o caso de Londres. A cidade britânica estabeleceu o pedágio urbano em 2019 para diminuir a circulação de veículos poluentes na cidade. A receita extra pôde ser convertida na ampliação do sistema de mobilidade. Em uma cidade como São Paulo, por exemplo, seria mais complexo. O professor menciona o custo político que uma medida semelhante traria.

O grande problema é o tamanho do que você tem que desembolsar para rodar no município São Paulo, também com subsídio de metrô, CPTM, de todo sistema de transporte. É muito difícil que a gente consiga, nessas fontes alternativas, um volume igual, R$ 6 ou 7 bilhões só para a capital.
Vladimir Maciel, coordenador e pesquisador do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica (CMLE)

Defensores da tarifa zero alegam que se trata de uma medida viável, inclusive em uma cidade grande como São Paulo. A Coalizão Mobilidade Triplo Zero – que reúne organizações da sociedade civil em defesa da mobilidade, incluindo o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) – propõe a criação de um Sistema Único de Mobilidade, o SUM, que integraria o transporte público de todo o país.

O grupo defende uma série de melhorias no transporte público. Mas a principal delas diz respeito à tarifa: reduzi-la e até zerá-la. Rafael Calabria, coordenador do programa de Mobilidade Urbana do Idec, afirma que o tamanho da cidade não é um empecilho. Do ponto de vista de política social, ele avalia que a iniciativa de Nunes é importante, mas, na prática, a questão é mais ampla. Ele afirma que o anúncio feito pelo prefeito preocupa por receio de que a política de tarifa zero seja feita de “qualquer jeito” e, dando errado, atrapalhe a pauta. Também é importante pensar em como a tarifa zero funcionaria em todo o sistema de mobilidade, não apenas no ônibus.

Precisa de mais fontes de recursos, tem que pagar por custo real. São Paulo não paga o custo real [paga por passageiro, não por quilometragem]. Outro ponto, que não é impeditivo, mas precisa ser melhor estudado: a cidade tem uma rede de trens e metrô. O tamanho [da cidade] não é um problema, mas um ponto de atenção é o metrô, o trem, que transportam muita gente. Como adotar? É uma análise muito inédita.
Rafael Calabria, coordenador do programa de Mobilidade Urbana do Idec

FONTE UOL

Investidor jv

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