Pandemia, juros altos e dólar explicam dívida bilionária da Gol

Pandemia, juros altos e dólar explicam dívida bilionária da Gol

A situação da Gol é “desafiadora” em diversos indicadores. Esta é a opinião de João Lucas Tonello, analista da Benndorf Research. Tonello afirma que dados da empresa indicam dificuldades para cumprir obrigações no curto prazo e que a estrutura de capital está desequilibrada.

A pandemia trouxe dificuldades para a empresa. É o que explica Virgilio Lage, especialista da Valor Investimentos. Sem voar, as companhias aéreas acumularam dívidas entre 2020 e 2021. Boa parte dessas dívidas foi renegociada no final de 2022 e começo de 2023. As empresas conseguiram postergar o pagamento para ter fôlego e recuperar o movimento, mas assumiram juros mais elevados (até 100% maiores do que os anteriores).

Depois de chegar a 2% ao ano, a Selic subiu até chegar a 13,75% ao ano, impactando o custo de empréstimos. A Selic ficou em 2% de agosto de 2020 até março de 2021. O BC começou um movimento de alta, até chegar ao patamar de 13,75% em agosto de 2022. Hoje, o BC está promovendo cortes na Selic, que está em 11,75%. “Os gastos com amortizações e pagamento de juros é muito grande e acabam com o caixa positivo da empresa”, afirma Tonello.

A alta do petróleo e a variação do dólar também prejudicaram o setor. Desde a pandemia, a moeda americana subiu mais de 17% em relação ao real. O petróleo, do tipo Brent, no início de 2020, custava cerca de US$ 50 o barril. Agora, está na casa dos US$ 78.

A Gol não está sendo capaz de gerar caixa, o que a obriga a se endividar para pagar os fornecedores. No caso dos combustíveis e outros itens, o preço é dolarizado, o que piora ainda mais a necessidade de recursos.
Samuel Barros, do Ibmec Rio de Janeiro

A idade da frota de aviões da empresa é um desafio adicional, para Tonello. O especialista diz que as aeronaves da empresa são antigas, o que aumenta os custos de manutenção. No balanço do terceiro trimestre de 2023, a Gol afirmava que tinha 141 aeronaves e 106 pedidos para compra de aeronaves Boeing 737-Max. A Gol também afirmou que sofria com “atrasos e incertezas” no cronograma de entregas de aeronaves.

FONTE UOL

Investidor jv

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