Nômades digitais adaptam empresa para cair na estrada

Nômades digitais adaptam empresa para cair na estrada

Escritório remoto e móvel, passagens por muitos Airbnbs e organização para lidar com as mudanças de cenário e rotina. Estas são algumas das características dos nômades digitais. O UOL ouviu algumas dessas pessoas que vivem sem endereço fixo, viajando para diversos destinos, e trabalhando de forma on-line.

Casal viaja pelo Brasil com a família

O casal Daniela Truffi e Daniel Davanço já passou por 16 estados e 25 cidades do Brasil desde que caiu na estrada. Atualmente, estão em São Paulo. Já passaram por lugares como Rio, Brasília, Extrema e Monte Verde (MG), e Mogi Mirim (SP).

Eles são donos de uma empresa de impermeabilização e adaptaram o trabalho para funcionar de forma remota. O nomadismo, por enquanto, só ocorreu pelo Brasil.

A empresa começou a se adaptar para funcionar sem sede fixa em 2015. A ideia surgiu durante uma viagem pela Austrália, quando conheceram nômades digitais. Concluíram que era isso que queriam para a família.

O primeiro passo foi descentralizar as vendas. Eles tiraram do casal a responsabilidade por fechar novos contratos.

O segundo passo foi padronizar execuções. Eles criaram uma cartilha com os padrões para quem ficasse no operacional.

O terceiro passo foi adotar ferramentas digitais em nuvens, aplicativos e softwares. Assim, poderiam acessar os dados em qualquer lugar do mundo. O uso de papel foi totalmente eliminado. Implementaram uma Gestão por Diretrizes, para que os líderes de suas áreas gerissem as equipes através de dados.

Começaram trabalhando do litoral de São Paulo e, depois, da Bahia. O primeiro teste ocorreu dois anos depois do início do processo de adaptação da empresa, em Ilhabela, litoral de São Paulo. O nomadismo começou de fato em dezembro de 2020. A empresa é administrada remotamente desde 2017.

A empresa tem 14 anos e há sete anos funciona de forma remota. Com 32 colaboradores, teve em 2022 o maior faturamento já registrado. A vida nômade não prejudicou a empresa. A organização financeira, no entanto, é fundamental.

Para viajar com as filhas, precisou mudar a rotina escolar. Valentina, 12 anos, e Violleta, 10 anos, estão matriculadas em uma escola remota. A família também viaja com Vinicius, 22 anos.

Após a adaptação da empresa, Daniela investiu em criação de conteúdo nas redes sociais e faz permuta por hospedagem. Há oito meses, Danny Truffi, como é conhecida no mundo digital, dedica 60% de seu tempo para isso. Os locais aparecem nas postagens da empresária, que consegue cortar um dos principais custos desse estilo de vida.

Já éramos organizados e nos mantivemos assim. Temos uma vida enxuta, não frequentamos muitos restaurantes e não fazemos muitos passeios pagos”
Danny Truffi, empresária, 40 anos

‘Sempre a poucos passos da praia’

Marcos Korody é nômade digital e já passou por 17 países

Imagem: Arquivo Pessoal

O nômade Marcos Korody, 34, criou uma empresa para poder levar uma vida perto da praia. Formado em design de produtos, chegou a ter uma empresa de desenvolvimento de softwares, mas migrou para o marketing digital. Com a ex-namorada, criou a Persona, sua atual empresa, que oferece soluções de crescimento para produtos digitais. Ele oferece cursos para ajudar outros empreendedores a venderem mais.

A motivação foi fugir da carga de trabalho excessivo. O nomadismo começou em 2018, quando ele embarcou para a Patagônia com menos de R$ 5.000 no bolso.

Hoje, ele mora em um Airbnb em Florianópolis (SC) e trabalha apenas algumas horas do dia ao trabalho. Já passou por 17 países: Bolívia, Bósnia, Chile, Colômbia, Croácia, Eslovênia, Espanha, EUA, França, Índia, Itália, Líbano, Montenegro, Nepal, Peru, Portugal, Sérvia.

Gasta cerca de R$ 10.000 por mês. Os finais de semana são de estudo, aventuras e descanso, sempre com uma prancha de surfe e seu gatinho nômade. Um dos segredos para manter as contas em dia é não ter gastos supérfluos. “Sou extremamente minimalista quando o assunto é roupas, equipamentos. Viajo com uma mochila de 40 litros e uma mala de 100 litros. Tudo que eu tenho cabe aí”, diz.

O que dita suas viagens é o custo dos Airbnbs. Não se vê voltando para São Paulo, sua cidade natal.

Minha intenção é sempre ficar a poucos passos da praia, num Airbnb bacana, que me dê uma boa estrutura para viver e trabalhar. Grandes centros urbanos me dão calafrios. Não me vejo morando longe do mar e da natureza”
Marcos Korody, nômade digital

‘Vivemos com mais qualidade’

Paula e Rafael - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal

Casal Paula e Rafael decidiu aderir à vida nômade: “Gastamos muito menos e vivemos com mais qualidade de vida”

Imagem: Arquivo Pessoal

Rafael Freitas e Paula Nascimento, ambos de 46 anos, decidiram mudar de vida com a chegada da pandemia. Depois de verem uma publicação no LinkedIn sobre um casal nômade digital, resolveram fazer um teste de 30 dias em Torres (RS). Depois, passaram por Imbituba. Atualmente estão em Cabedelo (PB).

Eles tinham carreiras consolidadas em Porto Alegre como professor universitário e advogada. O trabalho presencial e o esgotamento físico e psicológico os levaram a buscar outras atividades que dessem mais realização.

Criaram uma agência de orientação de pessoas em 2019. “A empresa seria digital desde o início e para sempre”, diz Rafael.

A vida nômade começou de forma permanente em março de 2022. Desfizeram-se de bens materiais e digitalizaram documentos e lembranças.

Ganham menos hoje do que no modelo anterior de carreira. “Mas também gastamos muito menos e vivemos com mais qualidade de vida”, diz Paula. Boa parte da grana antes era usada na manutenção de imóvel e carro.

Hoje gastam basicamente em três itens: Airbnb, experiências gastronômicas e passeios de experiência em cada destino.

Como se planejar?

Uma das ferramentas que pode ajudar é o site Nomad List. Ele classifica as melhores cidades para nômades digitais com base no custo de vida, velocidade da internet, clima, segurança, entre outras informações.

O site foi criado pelo holandês e nômade digital Pieter Levels. O objetivo é impulsionar o movimento de pessoas que querem trabalhar e viajar por lugares diferentes. O ranking do Nomad List é feito pelos próprios nômades, que se tornam membros da comunidade por US$ 79,99, com acesso vitalício.

O banco de dados tem 526 cidades classificadas pelos viajantes. O ranking e as classificações sobre as cidades estão constantemente mudando, com as informações fornecidas pelos usuários, incluindo prós e contras. Veja aqui as melhores cidades para trabalhar viajando.

FONTE UOL

Investidor jv

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