Não adianta país crescer 5% e beneficiar mais ricos, diz economista

São duas coisas que a gente pode responder. Primeiro, se isso é a coisa mais importante a se fazer. A segunda é se isso vai ajudar. A resposta para a primeira pergunta é “não”. Combater a desigualdade vai exigir a combinação de um conjunto muito grande de políticas. Na verdade, o livro é sobre isso. Mas a [resposta para a] segunda questão é “sim”. A gente tem que melhorar. A tributação brasileira precisa ser mais progressiva. Já existem grupos, por exemplo, tentando obter vantagem nessas reformas tributárias para ganhar isenções e subsídios. E aí eu chego ao ponto central que, no fundo, é a discussão do livro.

Qual é, então, a ideia central do livro?

A ideia central do livro é a seguinte: o Brasil é incrivelmente desigual e combater a desigualdade não vai ser uma tarefa simples. Vai exigir muito dinheiro, vai exigir muito tempo, vai consumir um capital político gigantesco. Porque isso vai exigir enfrentar conflitos distributivos que estão espalhados na sociedade inteira. Mas o que o livro tenta fazer? Ele tenta trazer ferramentas. Tudo tem que ser desenhado com a desigualdade em mente. Não é que a gente precisa ter políticas de combate à desigualdade. O combate à desigualdade deve estar presente em todas as nossas políticas. Isso tem implicações gigantescas. Para cada política que a gente fizer, a gente tem que perguntar o tempo inteiro: quem é que vai estar ganhando com isso e quem é que vai estar perdendo?

E aí o senhor está se referindo a políticas educacionais, econômicas?

A todas. A nossa política monetária, quando você define a taxa de juros, a gente tem que perguntar quem serão os principais beneficiários, quem serão os beneficiários secundários. Quando você vai numa discussão sobre garantir subsídios tributários, a pergunta é: e quanto cada grupo vai ganhar com isso? Na verdade, tem uma questão até maior que isso. Se você parar para pensar bem, qual é o pilar central de uma parte gigantesca da discussão da economia brasileira? É se isso vai afetar ou não vai afetar o crescimento. O meu argumento é que essa pergunta está errada. A pergunta certa é: quem é que vai crescer com isso? Vai beneficiar os mais ricos? O país pode crescer 5 % e esse crescimento ser pró-rico ou ser pró-pobre. São 5 % do mesmo jeito, mas são tipos de crescimento completamente diferentes. O que interessa do ponto de vista social é o crescimento das pessoas mais pobres. O debate sobre o crescimento tem que ser pautado por isso.

Mas existem alguns focos? Via de regra, a ideia de “melhorar a educação” é sempre citada como uma das soluções?

FONTE UOL

Investidor jv

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