brasileiro é coveiro na França

brasileiro é coveiro na França

Ser coveiro na França não era exatamente o sonho de Cesar Marcos Junior, de 35 anos, quando ele se mudou para a Europa em 2014.

“Vida de imigrante não é fácil. A gente encara o trabalho que as pessoas nativas não querem”, explica o goiano, que esteve no país pela primeira vez em 2012 para visitar a irmã.

Seu primeiro emprego por lá foi na obra, como pedreiro, e já não tinha nada a ver com o que ele fazia no Brasil: aqui, Cesar cursou publicidade e propaganda e trabalhou como assistente administrativo.

Eu não tinha noção nenhuma de obra. Mas a gente é brasileiro e se adapta em qualquer lugar. Depois de uns anos fui começar a trabalhar como coveiro e já vai fazer cinco anos. Apesar de não ser algo que planejei, eu gosto muito da profissão.

E engana-se que coveiro trabalha apenas abrindo e fechando covas – o que já dá muito trabalho, principalmente quando se fala em invernos rigorosos como o da França.

Na função, ele também é o responsável por fazer construções, fundações e instalação de monumentos.

Com mais de um milhão de seguidores nas redes sociais, Cesar é conhecido como ‘Senhor das Covas’

Imagem: Reprodução/Instagram

‘Senhor das Covas’

Ao compartilhar a inusitada rotina com pitadas de humor ácido nas redes sociais, Cesar ficou conhecido como o Senhor das Covas e já tem mais de um milhão de seguidores.

“As pessoas não aceitaram o cemitério logo de cara, nunca imaginei que poderia ser um conteúdo. Mas quando gravei o ‘pensamentos de um coveiro’, viralizou.”

No vídeo citado por Cesar, ele fala diversas frases de duplo sentido que arrancam risadinhas sinceras de quem ele chama de “futuros clientes”.

“Minha mãe me ligou e perguntou: ‘como você está, meu filho?’ Eu falei: ‘estou com o pé na cova’. Ela começou a chorar”, encenou no vídeo. “Acho que eu devo ser um bom coveiro, nunca tive reclamação de cliente nenhum”.

Desde menino gosto de fazer roteiros, mas nunca gravava. Agora, faço o trabalho para pessoas mudarem suas visões sobre os cemitérios. Elas foram abrindo a cabeça e eu fui desmistificando.

Já enterrou e desenterrou famosos

Em cinco anos na função coveiro, Cesar já deu de cara com túmulos famosos – segundo ele, já enterrou e desenterrou alguns, mas não pode citar nomes por causa de regras de confidencialidade.

Entre os muitos cemitérios que ele já atendeu, um dos mais famosos é o Père-Lachaise, o maior da França. Por lá, descansam os corpos de Jim Morrison, Allan Kardec, Édith Piaff e outras personalidades.

O lugar já foi alvo, inclusive, de uma série no TikTok de Cesar – Senhor das Covas desvendando o Père-Lachaise. Em vídeos curtos, ele mostrou túmulos famosos e contou a história de alguns monumentos.

Um deles é o do jornalista Victor Noir, que é retratado pela escultura de um homem com ereção — ele é visitado por turistas do mundo todo que acreditam que Noir pode dar uma ajudinha na fertilidade de casais.

Diferente do Brasil

Cesar explica que, diferente do Brasil, na França, os coveiros não são contratados de um cemitério específico. Por isso, ele acaba transitando por vários locais diferentes e não tem um ponto fixo de trabalho.

“É como se o espaço fosse um loteamento e a gente o pedreiro. Chegamos, fazemos o trabalho e vamos embora”, explica. Hoje, ele é chefe de equipe. “Nós não trabalhamos sozinhos.”

Mesmo sem nunca ter trabalhado como coveiro no Brasil, ele mantém um grupo — Covas sem Fronteiras — com profissionais do mundo inteiro que trocam experiências e curiosidades entre si.

O que ele descobriu, por exemplo, é que as covas daqui são bem mais rasas que as da Europa. E que a exumação dos corpos no Brasil também acontece em um tempo diferente do que lá.

“No Brasil, a corpo é consumido mais rápido. Aqui, não sei se é por causa do frio ou pela profundidade das covas, o corpo fica mais preservado”, pontua.

FONTE UOL

Investidor jv

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